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A SITUAÇÃO DAS MULHERES NO TEMPO DE JANE AUSTEN - O CASAMENTO

"Mulheres solteiras têm uma terrível propensão a serem pobres, o que é um argumento bem forte a favor do matrimônio", Jane Austen, carta de março de 1816.

No tempo da Jane Austen, não havia um meio real para mulheres jovens da classe "média" se virarem por si mesmas ou se tornarem independentes. Profissões, as universidades, a política e etc. não eram abertas às mulheres (essa opinião de Elizabeth: "...que embora essa grande senhora - Lady Catherine - não estivesse na comissão de paz do condado, ela era uma magistrada muito ativa na sua freguesia..." é irônica, uma vez que é claro que nenhuma mulher poderia ser uma magistrada). Poucas ocupações eram abertas à elas - e as poucas que eram (como a de governanta) não eram muito respeitadas, e geralmente não pagavam muito bem ou possuíam boas condições de serviço.

casar por Amor ou dinheiro - amor e inocencia




Jane Austen escreveu, em uma carta de 30 de abril de 1811, sobre uma governanta contratada sobre seu irmão Edward: "No momento eu suponho que ela está passando por maus bocados, governando tudo - pobre criatura! Eu tenho pena dela, embora eles sejam meus sobrinhos". E Mr. Elton, em Emma, fica "chocado" que a ex governanta de Emma seja tão bem educada, quase como uma dama da sociedade (o oposto de ser uma boa serva).

Portanto, a maioria das mulheres dessa classe não conseguia dinheiro exceto através do casamento ou da herança (e como o filho mais velho geralmente era o herdeiro da maior parte da propriedade, uma mulher só poderia ser chamada de herdeira se não possuísse irmãos). Apenas uma pequena quantidade de mulheres era o que nós podemos chamar de profissionais, que através de seus próprios esforços conseguiram se tornar independentes, ou tiveram uma carreira reconhecida (a própria Jane Austen não foi uma dessas profissionais - durante os últimos seis anos de sua vida ela ganhou pouco mais de 100 libras por ano em razão de suas escritas, embora as despesas de sua família ultrapassassem quatro vezes esse valor e ela não tenha conhecido outros autores ou participado de círculos literários.

Uma mulher solteira também precisava viver com seus familiares, ou com pessoas aprovadas pela sua família - não era comum para uma jovem solteira viver sozinha, mesmo que ela fosse uma herdeira (Lady Catherine: "Mulheres jovens devem sempre ser propriamente cuidadas e atendidas, de acordo com as suas situações na vida"). A Rainha Victória precisou que sua mãe vivesse com ela no palácio no final nos anos 1830, até que se casasse com Albert, mesmo que ela e sua mãe não estivessem se falando durante esse período. Somente em casos excepcionais como de uma órfã herdeira que já recebeu sua herança (por exemplo, se já atingiu a idade necessária e se seus pais estão mortos), uma jovem solteira pode ser a chefe da casa (e mesmo nesses casos ela precisa contratar uma senhora respeitável para ser sua dama de companhia).

Nesses termos, uma mulher que não se casasse provavelmente viveria com seus parentes e seria dependente deles (mais ou menos a situação de Jane Austen). Então, o casamento é praticamente a única maneira de sair debaixo do teto dos pais - a menos que, é claro, a família da jovem não possa sustentá-la, situação em que ela precisaria viver como empregada - governanta, tutora ou dama de companhia. Uma mulher sem relações ou um empregador corria o perigo de estar fora da escala de gentilezas por completo (a sra. e a srta. Bates em "Emma" mantém um mínimo de respeitabilidade graças à caridade dos vizinhos). E, no geral, se tornar uma solteirona não era um destino desejado (então quando Charlotte Lucas, de 27 anos, se casa com Mr. Collins, seus irmãos ficam aliviados do medo que tinham de que ela morresse como uma solteirona, e Lydia diz: "Jane vai se tornar uma solteirona muito em breve, eu digo. Ela tem quase vinte e três anos!").

Diante de tudo isso, algumas mulheres estavam dispostas a casar apenas porquê o casamento era a única rota permitida para a segurança financeira, ou para escapar de alguma situação familiar. Esse é o dilema discutido entre Emma e Elizabeth Watson no seguinte trecho de "The Watsons":

             Emma: "Se empenhar tanto em achar um casamento - procurar um homem meramente pelo bem de uma situação - é o tipo de coisa que me choca; Eu não consigo entender isso. Pobreza é um grande mal, mas para uma mulher com sentimentos e educação isso não pode ser o maior mal. - Eu preferiria ser uma professora em uma escola (e eu não posso imaginar nada pior) do que casar com um homem que eu não goste".

             Elizabeth: "Eu estive na escola, Emma, e sei que tipo de vida elas levam; você não. - Eu não gostaria de casar com um homem desagradável mais do que você gostaria, mas eu não penso que existem tantos homens desagradáveis. Eu acho que eu poderia gostar de qualquer homem bem humorado com uma boa renda".

Em "Orgulho e Preconceito", o dilema é expressado mais claramente pela personagem Charlotte Lucas, uma vez que o pragmatismo da sua visão do casamento é exposto várias vezes no romance. Ela tem 27 anos, não é muito bonita (de acordo com ela mesma e com a sra. Bennet) e não possui grandes dotes, então ela decide casar com Mr. Collins "pelo puro e desinteressado desejo de se estabelecer na vida". Tudo isso tem mais sentido porque Jane Austen era ela mesma relativamente sem dotes e uma vez recusou uma proposta de casamento de um homem próspero.

Fonte do texto: Pemberley.com

OBS: Oi gente! Esse é meu primeiro post aqui no blog :)
Acabei de me tornar uma colaboradora e esse é o primeiro de muitos textos que pretendo traduzir para postar aqui. Escolhi esse porque era mais curtinho e tratava de um tema central dos livros da Jane: o casamento. Espero que gostem!

Existem muitos textos bem legais sobre os costumes daquela época - costumes dos bailes, das refeições, dos namoros, etc - em blogs e sites ingleses e se tiver uma boa recepção nós podemos publicar sempre.

Sintam-se livres para deixar aqui sugestões de assuntos. 

Obrigada, 

Roberta.


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3 comentários

  1. Eu adorei o post! estou fazendo um trabalho de literatura, sobre a obra orgulho e preconceito, que tem como tema central da minha pesquisa o casamento. Ótimo post!

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  2. Sim, sim, sim! Sempre parecem haver textos tão interessantes como esse na internet, mas sempre em inglês. Por favor, continuem traduzindo, eu gostaria de ler mais. Agradeceríamos muitíssimo! :D

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