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O QUÃO RICO ERA MR. DARCY? (PARTE 2 - A ABADIA DE NORTHANGER, EMMA, PERSUASÃO E RAZÃO E SENSIBILIDADE)

       Oi gente! Demorei pra postar a segunda parte do artigo (que vergonha), mas a parte três já vem amanhã hehehe. Essa segunda parte trata das obras Razão e Sensibilidade e Persuasão, além de A abadia de Northanger, Emma e Mansfield Park - mas essas últimas três de forma bem breve.
       Relembrando: o texto a seguir é uma tradução de um artigo publicado em 1989 - Artigo de JAMES HELDMAN, então os "valores atuais" são daquela época e em dólares, ok? 
       Até a próxima,
       Roberta!


   


        O dinheiro em Orgulho e Preconceito é primordialmente uma medida de riqueza e segurança. Mas, em Razão e Sensibilidade, o romance financeiramente mais complexo de Jane Austen, o dinheiro parece funcionar de outras maneiras. Atitudes ao redor do dinheiro em Razão e Sensibilidade servem pelo menos para dois propósitos adicionais. Eles nos dão vislumbres dos gostos e valores de alguns dos personagens, e nos ajudam a entender algo sobre uma renda adequada no tempo de Jane Austen. Alistair Duckworth estima que a renda de John Dashwood era de 5,000 a 6,000 libras ao ano - cerca de $165,000 a $198,000 - e portanto ele é ainda mais rico do que Mr. Bingley. Não obstante isso, ele decide não permitir às suas irmãs e sua mãe 100 ou 50 libras ao ano, mesmo que o combinado tivesse sido de apenas 500 libras ao ano. Obviamente, John Dashwood é um avarento, egoísta, auto Indulgente e não generoso no maior grau. O estado de Willoughby em Combe Magna, de acordo com Sir John Middleton, dá à ele cerca de 600 libras por ano - cerca de $20,000 por ano - mas em razão de seus débitos e da incerteza da sua herança por parte da sra. Smith, ele escolhe noivar com a srta. Grey, que tem uma fortuna de 50,000 libras, e, incidentalmente, é a mais rica das herdeiras de Jane Austen que têm suas fortunas especificadas. A fortuna da srta. Grey, investida em cinco por cento, daria à ela 2,500 libras ao ano, o que, completadas com as 600 libras de Willoughby, deixa o casal com uma renda total de 3,100 libras ao ano - quase $103,000 por ano. Parece que até mesmo os gostos mais caro de Willoughby seriam satisfeitos com essa quantia e que seus motivos eram inteiramente mercenários. Ele pode ser visto, até, como um pupilo de Wickham, nesse contexto.

Por outro lado, Edward Ferrars tem a oportunidade de se tornar razoavelmente rico também. Se ele cedesse aos desejos da mãe e noivasse com a srta. Morton e suas 30,000 libras, ele receberia 1,000 libras por ano de sua mãe, 1,500 libras por ano da fortuna da srta. Morton investida em cinco por cento, e 100 libras ao ano da sua própria fortuna de 2,000 libras, somando uma renda de 2,600 libras ao ano - quase $86,000. Sendo um homem de honra, ele recusa a oportunidade para se manter verdadeiro ao seu anterior e impulsivo compromisso secreto com Lucy Steele. Mas uma vez que ele é liberado desse noivado através do casamento inesperado de Lucy com seu irmão, Robert, ao invés de ir atrás da srta. Morton, e dos desejos de sua mãe, ele vai até o chalé Barton para pedir Elinor em casamento, mesmo sabendo que as chances de eles poderem casar imediatamente são mínimas. Ao contrário de Willoughby, Edward escolhe o amor ao invés do dinheiro, mesmo que sua escolha signifique ter uma renda relativamente pequena.

As duas irmãs Dashwood têm visões distintas do que constitui uma quantia boa de meios para uma existência confortável. Para a extravagante e romântica Marianne, "800 ou 2000 libras ao ano; nada mais do que isso - mais de $65,000. Mas para a modesta Elinor, 1,000 libras ao ano é a "sua riqueza". O contraste entre esses meios e a riqueza é a medida reveladora dos sensos de proporção das irmãs. Ainda assim, Marianne acredita que suas expectativas são bem moderadas: "Uma família não pode se manter bem com uma renda menor. Eu tenho certeza que não estou sendo extravagante em minhas exigências. Um número razoável de empregados, uma carruagem, talvez duas, não podem ter mantidas com menos". Com o desenrolar dos acontecimentos, é claro, Marianne conquista precisamente o que ela queria em um casamento com o Coronel Brandon, e Elinor fica feliz com um pouco menos no seu casamento com Edward.

      Alguns dos detalhes financeiros em Razão e Sensibilidade também podem nos ajudar a entender mais claramente o que constituía uma boa renda, ou o quanto uma pessoa precisava possuir para viver bem no tempo de Jane Austen. Cada uma das irmãs Dashwood herdou 1,000 libras do tio. A sra. Dashwood recebeu 7,000 libras como legado de seu falecido marido. Portanto, a sra. Dashwood e suas filhas, em conjunto, tem uma fortuna de 10,000 libras o que renderia 500 libras ao ano - $16,565 por ano. Com essa renda elas não são capazes de cuidar de suas necessidades da casa, de comida e de vestimenta, mas elas têm meios de ter três empregadas - duas mulheres e um homem - como equipe no chalé Barton. Elas não são ricas, mas parecem ser pelo menos confortáveis financeiramente falando. Realmente, nós ficamos sabendo que a sra. Dashwood "acreditava que uma quantia bem melhor do que 7,000 libras já lhe daria certa riqueza". Essa quantia lhe renderia 350 libras ao ano - cerca de $11,600 por ano. E ela acredita que pode economizar o bastante dessas 500 libras ao ano para fazer reformas no chalé, embora nunca tenha dito nada nesse sentido durante toda a vida. O coronel Brandon oferece à Edward a residência em Delaford por 200 libras por ano. Com a renda das suas próprias 2,000 libras, Edward teria uma renda total de 300 mil libras ao ano - quase $10,000 por ano. Coronel Brandon acredita que isso seria suficiente para Edward viver como um solteiro mas não o suficiente para casar. Mas a sra. Jennings - uma romântica que pode bancar ser esse tipo de gente - acredita que 300 libras ao ano é o suficiente para um jovem casal começar a vida.

     Quando Elinor e Edward noivam, as 2,000 libras de Edward e as 1,000 libras de Elinor renderiam à eles 150 libras dos cinco por cento de investimento. Essa quantia somada ao ganho de Delaford daria à eles 350 libras ao ano - cerca de $11,600 por ano. Nós ficamos sabendo que "nenhum deles estava apaixonado o suficiente para pensar que trezentas e cinquenta libras ao ano iria suprir seus confortos na vida". Contudo, quando a Sra. Ferrars cede e dá à Edward 10,000 libras como ela deu para Fanny, eles têm um total de 13,000 libras para investir no cinco por cento e receber 650 libras por ano mais as 200 libras de Delaford. Com 850 libras ao ano - pouco mais de $28,000 por ano - Elinor quase alcançou suas ambições.

     O Dinheiro, ao menos da maneira como venho o tratando, não é muito importante em A abadia de Northanger, Mansfield Park e Emma como é em Orgulho e Preconceito e Razão e Sensibilidade. Catherine Morland teria 3,000 libras - mais de $99,000 - e talvez até a propriedade Fullerton, mas isso importa muito pouco para a maioria dos personagens, com exceção do General Tilney, uma vez que Henry Tilney é possuidor de uma "considerável fortuna" através de arranjos matrimoniais e tem uma renda que lhe proporciona "independência e conforto". Emma é herdeira de 30,000 libras - quase $1,000,000 e três vezes a fortuna do Sr. Elton. O Sr. Rushworth, com uma renda advinda de Sotherton de 12,000 libras ao ano - mais de $397,000 - é o personagem mais rico de Jane Austen - ao menos dos personagens que sabemos a renda - embora seja esquecível. A renda de Edmund Bertram advinda da paróquia de Mansfield é de 700 libras ao ano - pouco mais de $23,000 -, menos do que a renda de Edward e Elinor Ferrars. Mas Edmund é, afinal, o filho mais jovem de Sir Thomas Bertram, e parece não haver dúvidas de que tanto Sir Thomas quanto, eventualmente, Tom, na ocasião da herança do baronato, pensam que Edmund e Fanny estão mais do que bem na vida. Em todos esses romances, os personagens centrais são geralmente já financialmente confortáveis, e as referências ao dinheiro nesses romances parecem estar ali apenas para estabelecer o fato de que Jane Austen pode tratar de outros assuntos.

     Esse não é o caso, contudo, em Persuasão. Sir Walter Elliot e sua família parecem estar em uma situação desesperadora. Nós sabemos que ele é proprietário de Kellynch, mas em razão de suas extravagâncias e dívidas ele não pode não pode mais bancar a residência e precisa arrendar Kellynch para o Almirante Croft. Presumidamente, a renda dos aluguéis e algum outro rendimento de alguma fazenda (se é que há algum) e o arrendamento permitem que ele viva em opulência e ostentando uma bela casa em Camden Place em Bath. Mas Kellynch irá ser transmitida ao Sr. William Walter Elliot quanto Sir Walter falecer. A realidade das circunstâncias de Sir Walter são sugeridas na passagem discutindo os arranjos financeiros do casamento de Anne com o Capitão Wentworth. Sir Walter, nós ficamos sabendo, "pode dar à mão de sua filha no momento mas apenas uma pequena parte das dez mil libras que deverão ser dela". Essa passagem pode ser enigmática, mas parece que a herança das filhas de Sir Walter quando o pai falecer será de apenas 10,000 libras - pouco mais de $330,000 -, a mesma quantia que possuem a Sra. Dashwood e suas filhas. Assumindo que essa quantia seja dividida igualmente entre as irmãs, cada filha herdaria cerca de 3,300 libras - pouco mais de $109,000. Mary estava bem casada, mas o que seria de Elizabeth? Ela poderia, é claro, também ter um bom casamento - eventualmente - mas dada a sua personalidade e a pequena herança, seu futuro parece ser, pelo menos, questionável. As circunstâncias são melhores para Anne, é claro. Na ocasião de seu casamento, Wentworth tem uma fortuna de 25,000 libras - $828,250. Investida nos cinco por cento, essa quantia sozinha dá à eles uma renda de 1,250 libras ao ano - mais de $41,000. Mas assumindo que Anne iria herdar uma parte das 10,000 libras de seu pai, ela poderia eventualmente adicionar mais 3,300 libras aos recursos do casal, o que daria à eles uma fortuna de 28,300 libras - quase $938,000 - ou, em figuras redondas, quase $1,000,000. Em outras palavras, a riqueza potencial disponível para Anne e Wentworth é quase a mesma que a fortuna de Emma Woodhouse. Na época do casamento, Anne está ciente da "desproporção de suas fortunas", mas isso não significa nada para ela. A única coisa que a incomoda é a "consciência de não ter nenhuma relação para estender à ele, coisa que um homem de bom sendo poderia valorizar".

Fonte: Jasna.Org
Tradução e adaptação: Roberta Ouriques

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