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Alguns segredos que Jane Austen não te contou – parte 3

Você já reparou que os relacionamentos mãe-filha, nos livros da Jane Austen, não são muito afetuosos?
claire tomalin
No livro de Claire Tomalin, ela conta que a distância emocional entre Jane e sua mãe foi evidente por toda a sua vida. Aliás, há uma frieza, não só em relação à mãe, como também em relação a ela mesma. Tomalin diz que, quando se lê as cartas de Jane, percebe-se seu espírito sensível e vivo, mas também sua couraça e uma certa postura defensiva. Ela não demonstra ternura por ela mesma, nem pelos demais. São cartas, diz a biógrafa, de uma pessoa que não abre o seu coração para ninguém e, na mulher adulta (…) se adivinha a menina que não sabia onde buscar o amor ou a segurança e que se refugiou atrás de uma couraça para se defender da rejeição.

Por que será que Jane Austen era assim?

A resposta estaria em uma prática comum na época dos Austen. Nos primeiros meses de vida do bebê, ele era amamentado pela mãe, mas, em seguida, era entregue aos cuidados de uma mulher da vila, e por lá permanecia até completar um ano e meio mais ou menos.
No caso da nossa escritora favorita, parece que ela foi entregue aos cuidados de uma outra mulher com catorze semanas de vida. Imagina uma criança ser separada da mãe nessa fase?!
Era algo que acontecia em muitas famílias burguesas, embora houvesse gente que considerasse essa prática deplorável, pois, quando as crianças voltavam para casa, elas não queriam saber de ficar com a mãe, mas choravam de saudades das mulheres que haviam cuidado delas.
Em contrapartida, Jane Austen ficou muito próxima de Cassandra, sua irmã mais velha. Cassandra se sentia como sua mãe, a pegava no colo, brincava com ela. Pode ter surgido daí o vínculo profundo que uniu as duas irmãs por toda a vida da escritora. E pode ser daí, também, que encontramos irmãs muito próximas em dois dos romances de Austen: Elizabeth e Jane, em Orgulho e Preconceito; Elinor e Marianne, em Razão e Sensibilidade.
É provável que o frio relacionamento de Jane Austen com sua mãe, na vida real, tenha influenciado os relacionamentos mãe-filha em sua obra.
Mas o interessante é que, para mim e muitas mulheres que conheço, Jane Austen foi uma herança passada de mãe para filha. Um laço que une gerações de mulheres. No meu caso, gosto de dizer que ler Jane Austen me faz estar em contato com a minha linhagem feminina, pois todas as mulheres da minha família materna amam essa escritora.
A própria Claire Tomalin, nos “Agradecimentos” do seu livro JaneAusten – a Life, faz uma referência carinhosa à sua filha, pelas conversas que teve sobre a escritora e pelo carinho que ambas compartilham por ela há muitos anos.

Se depender das mães que amam Jane Austen, suas filhas vão continuar amando os seus livros.

Até segunda-feira que vem!

Yours faithfully,
Rebeca Miscow



(do blog Desanuviando)


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2 comentários

  1. Olá,

    Gostei muito desse post.
    Fiquei com vontade de ler o livro: "Jane Austen - a Life".

    beijo

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